segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Medo




MEDO
Vera Lúcia Valentini 


Essa sensação que me faz pálida
Um tremor, por vezes, gélido
transforma minha alma cálida
em vestígios de sensações lívidas.


Gestos frenéticos,
quase patéticos.
Reações céticas,
de consolo mínimo


Nesse turbilhão nada é enigmático,
meu inconsciente intacto
conclui, numa busca efêmera:
É o medo que volta
como um sentimento pródigo.


29/03/2006

Prisma

PRISMA
Vera Lúcia Valentini Borro (@ngel)


 
Pela lente objetiva da razão
não consigo distinguir a fronteira
entre a realidade e os meus sonhos.
Como numa encruzilhada, meu coração
pára, analisa e escolhe.
A sorte foi lançada!


Presa fácil dos meus sentimentos
Crisálida da minha consciência
Espero, ansiosa, o momento que
poderei romper o casulo e planar
livre, leve e solta, sem limites
e sem medo de ser feliz.


04/05/2005

Oração para o local de trabalho

Oração para o local de trabalho
Vera Lúcia Valentini 



Querido Jesus,

Que ressuscitado, sejas um Jesus vivo neste nosso local de trabalho.

Que faça brotar em nossos corações de "Seres Humanos", disposição para o trabalho, competência para que bem possamos desempenhar nossas funções.

Que não nos falte compreensão, tolerância, discreção para com os nossos colegas, visto que somos todos igualmente sujeitos a virtudes e defeitos.

Que tenhamos sempre muita paciência e quando esta nos faltar, que ao menos sejamos brandos.

Que cada um de nós seja uma estrela a iluminar aqueles e aquilo que está ao nosso redor.

Meus Jesus querido, Dono de nossas vidas, traga a cada manhã para este lugar, paz e harmonia, para que ao final da tarde, quando terminarmos nossas tarefas, possamos levantar os nossos olhos aos céus e Te agradecer por mais um dia de trabalho, por mais um dia que pudemos contar com a amizade de nossos companheiros de luta. Amém!

Perdão Menino-Jesus

Perdão Menino-Jesus
Vera Lúcia Valentini 



Durante o ano te esquecemos entre papéis e documentos
Esquecemos-te na correria do dia-a-dia
Ficas a esperar-nos em baixo das pontes,
nos leitos de hospitais e nas favelas da periferia.


Durante o ano trocamos a singela luz
da Tua estrela no presépio
pelas luzes de néon dos grandes centros 
que cegam-nos com seus efeitos.
Trocamos-te pela satisfação dos
nossos desejos pessoais e
pelas guloseimas que alimentam 
nosso ego sempre insatisfeito.


Perdoa-nos Menino-Deus pela nossa pequenez
diante da grandeza da manjedoura em que nasceste.
Perdoa-nos por nos esquecermos da paz e alegria
que reina na simplicidade da gruta de Belém,
quando somos sucumbidos pelo brilho dos papéis
que embalam nossas caixas de presentes, vazias de ti.

dezembro/2003

Naufrágio

Naufrágio
Vera Lúcia Valentini 



Quantas horas foram necessárias
para que eu entendesse
a distância entre o ter e o querer,
o dever e o poder,
o amar e o esperar?


De quantas horas precisei
para construir uma eternidade de lembranças.
Perpetuar momentos, sepultar lamentos ?


Hoje só me resta juntar cacos
Chorar sobre o encontro que não fui,
O beijo que não dei, a história que não vivi.


07/10/2004

Final dos sonhos

FINAL DOS SONHOS
Vera Lúcia Valentini 





Registre-se no obituário:
Hoje morreram os sonhos que não consegui realizar.


Declare-se na autópsia:
Morreram não por inanição ou abandono,
mas por assassinato frio e calculado.
Morreram por mãos insensíveis, contundentes e incisivas.
Mãos que arrancaram do meu peito
a ingenuidade do amor incondicional.
Esvai-se em desilusões o romantismo.
A esperança de mudanças findou-se.


Observe-se no inquérito:
Não se mata somente com armas brancas ou de fogo.
Mata-se com gestos e palavras.
Mataram o sonho, mataram a esperança.
Mataram portanto, as chances de felicidade no amor .
Crime para o qual o castigo é inverso.
Pune-se a vitima.
A ela é decretada -  Solidão.

junho/2004

Te perdi

TE PERDI.
Vera Lúcia Valentini 




Acho que perdi você...
Está sobrando espinho
enquanto falta flor,
É ferida que abre
provocando a dor.
Sou noite sem lua
Se você se for


Sou nada sem seu amor
Aquário sem peixe.
Vela sem chama.
Arco-íris sem cor.
E meu corpo doente da sua ausência,
rola insone na cama.
Acho que perdi você...


 
No labirinto das emoções,
só encontro a saída do arrependimento.
Me sinto impotente a cada suspiro de saudade.
Como pássaro que voa em busca do ninho roubado,
desfaleço de cansaço em busca da verdade.
E a constatação... perdi você!


E o meu amor sem querer aceitar que te perdeu,
vaga andarilho pelas avenidas vazias deste caso,
e passa de primavera a inverno,
dobrando as esquinas da sua vida
para ter certeza de que é eterno.

19/05/2004